Licença-maternidade, licença-paternidade e estabilidade da gestante

A é de 120 dias, sem perder o emprego nem o salário. A é de 5 dias corridos, contados do nascimento, e passa a 10 dias em 2027.

A gestante também não pode ser desde a confirmação da gravidez até 5 meses depois do parto. A proteção vale mesmo durante o .

Empresas que entram no dão 60 dias a mais de licença-maternidade e 15 dias a mais de licença-paternidade, com salário integral.

O que é a licença-maternidade

A licença-maternidade é o afastamento da mãe do trabalho por 120 dias, com o salário e o emprego garantidos. Vale para toda empregada com carteira assinada, inclusive a doméstica.

O que a lei diz

XVIII - licença à gestante, sem prejuízo do emprego e do salário, com a duração de cento e vinte dias;

Constituição, art. 7º, XVIII

Em português

A Constituição garante 120 dias de licença para a mãe. Nesse tempo ela não pode perder o emprego e recebe o salário normal.

O que a lei diz

A empregada gestante tem direito à licença-maternidade de 120 (cento e vinte) dias, sem prejuízo do emprego e do salário. § 1º A empregada deve, mediante atestado médico, notificar o seu empregador da data do início do afastamento do emprego, que poderá ocorrer entre o 28º (vigésimo oitavo) dia antes do parto e ocorrência deste.

CLT, art. 392, caput e § 1º

Em português

Você escolhe com o médico quando sair, entre 28 dias antes do parto e o dia do parto. O atestado com a data de início vai para a empresa.

Sem prejuízo do emprego e do salário quer dizer que nada pode ser cortado por causa da licença. Os dias de licença também não contam como falta na hora de calcular as suas férias.

Quanto você recebe durante a licença

O pagamento desses 120 dias se chama . A Lei 8.213, de 1991, manda a empresa pagar à empregada. Depois, a empresa abate esse valor das contribuições que deve ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). A recebe o salário-maternidade direto do INSS.

O que a lei diz

Durante o período a que se refere o art. 392, a mulher terá direito ao salário integral e, quando variável, calculado de acordo com a média dos 6 (seis) últimos meses de trabalho, bem como aos direitos e vantagens adquiridos, sendo-lhe ainda facultado reverter à função que anteriormente ocupava.

CLT, art. 393

Em português

Na licença você recebe o salário inteiro. Se o seu salário muda de um mês para outro, como com comissão, a conta usa a média dos últimos 6 meses. Na volta, você pode retomar a função de antes.

Licença com salário variável, exemplo de 2026

Salários dos últimos 6 meses
R$ 2.600, R$ 3.100, R$ 2.900, R$ 3.400, R$ 2.800 e R$ 3.200
Soma dos 6 meses
R$ 18.000,00
Média, a soma dividida por 6
R$ 3.000,00
Licença de 120 dias, 4 meses de média
R$ 12.000,00
Salário-maternidade antes dos descontos
R$ 12.000,00

Para ver quanto sobra em cada mês depois dos descontos, use a calculadora de salário líquido com a média de R$ 3.000.

A estabilidade da gestante

quer dizer que a empresa não pode mandar você embora sem uma falta grave. Para a grávida, ela começa na confirmação da gravidez e vai até 5 meses depois do parto.

O que a lei diz

II - fica vedada a dispensa arbitrária ou sem justa causa: [...] b) da empregada gestante, desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto.

Constituição, ADCT, art. 10, II, b

Em português

Da confirmação da gravidez até 5 meses depois do parto, a empresa não pode dispensar você sem justa causa. Dispensa arbitrária é a demissão sem um motivo que a lei aceite.

O que a lei diz

A confirmação do estado de gravidez advindo no curso do contrato de trabalho, ainda que durante o prazo do aviso prévio trabalhado ou indenizado, garante à empregada gestante a estabilidade provisória prevista na alínea b do inciso II do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias.

CLT, art. 391-A

Em português

A proteção vale mesmo se a gravidez for confirmada durante o aviso prévio. Isso vale para o e para o aviso pago sem trabalhar.

O ADCT (Ato das Disposições Constitucionais Transitórias) é a parte final da Constituição, com que continuam valendo. A data que conta é a da confirmação da gravidez, e não o dia em que a empresa ficou sabendo.

A estabilidade não protege contra a , que é a demissão por falta grave. As faltas graves estão no guia de tipos de demissão.

Licença-paternidade em 2026 e a partir de 2027

Em 2026, o pai tem 5 dias corridos de licença, contados do nascimento. Corridos quer dizer que sábado, domingo e feriado entram na conta.

O que a lei diz

III - por 5 (cinco) dias consecutivos, em caso de nascimento de filho, de adoção ou de guarda compartilhada; [...] § 1º O prazo a que se refere o inciso III do caput deste artigo será contado a partir da data de nascimento do filho.

CLT, art. 473, III e § 1º

Em português

Hoje o pai falta 5 dias seguidos sem desconto quando nasce ou é adotado um filho. A conta começa no dia do nascimento, e não no primeiro dia útil.

A Lei 15.371, de 2026, aumenta essa licença e passa a valer em 1º de janeiro de 2027. O pagamento do pai nesses dias ganha o nome de .

O que a lei diz

A licença-paternidade e o salário-paternidade, considerados isoladamente, terão a duração total de: I – 10 (dez) dias, a partir de 1º de janeiro de 2027; II – 15 (quinze) dias, a partir de 1º de janeiro de 2028; III – 20 (vinte) dias, a partir de 1º de janeiro de 2029.

Lei 15.371/2026, art. 11

Em português

A licença do pai cresce aos poucos. São 10 dias em 2027, 15 dias em 2028 e 20 dias em 2029. Os 20 dias dependem de o governo cumprir a meta fiscal prevista na lei.

Ano do nascimentoLicença-paternidade
20265 dias corridos
202710 dias
202815 dias
202920 dias, se a meta fiscal for cumprida
CLT, art. 473, e Lei 15.371/2026, art. 11. Na Empresa Cidadã, o pai pode ter mais 15 dias.

O que a lei diz

É vedada a dispensa arbitrária ou sem justa causa do empregado no período entre o início do gozo da licença-paternidade até o prazo de 1 (um) mês após o término da licença.

Lei 15.371/2026, art. 4º

Em português

A partir de 2027, o pai também ganha proteção. Do começo da licença até 1 mês depois do fim dela, a empresa não pode dispensá-lo sem justa causa.

Adoção, parto antes da hora e outros casos especiais

  • Adoção. Quem adota ou recebe a guarda judicial para adotar tem a mesma licença de 120 dias. Se o casal adota junto, só um dos dois tira a licença-maternidade.
  • Parto antes da hora. A mãe tem direito aos 120 dias inteiros, mesmo que o bebê nasça antes do previsto.
  • Internação longa. Se a internação ligada ao parto passa de 2 semanas, a licença pode ir até 120 dias depois da alta da mãe e do bebê. Saem da conta os dias tirados antes do parto.
  • Aborto não criminoso. Com oficial, a mulher tem 2 semanas de descanso pago e volta para a mesma função.
  • Criança com deficiência causada pelo vírus Zika. A licença-maternidade ganha mais 60 dias, e a licença do pai sobe para 20 dias.

Esses prazos são o mínimo da lei. Na Empresa Cidadã, a licença fica maior, como mostram as perguntas mais abaixo.

Direitos na gravidez e na amamentação

O que a lei diz

§ 4º É garantido à empregada, durante a gravidez, sem prejuízo do salário e demais direitos: I - transferência de função, quando as condições de saúde o exigirem, assegurada a retomada da função anteriormente exercida, logo após o retorno ao trabalho; II - dispensa do horário de trabalho pelo tempo necessário para a realização de, no mínimo, seis consultas médicas e demais exames complementares.

CLT, art. 392, § 4º

Em português

Na gravidez, você pode sair do trabalho para pelo menos 6 consultas e os exames, sem desconto. Se a sua saúde pedir, muda de função e depois volta para a antiga.

O que a lei diz

Para amamentar seu filho, inclusive se advindo de adoção, até que este complete 6 (seis) meses de idade, a mulher terá direito, durante a jornada de trabalho, a 2 (dois) descansos especiais de meia hora cada um. [...] § 2º Os horários dos descansos previstos no caput deste artigo deverão ser definidos em acordo individual entre a mulher e o empregador.

CLT, art. 396, caput e § 2º

Em português

Até o bebê fazer 6 meses, você tem 2 pausas de meia hora por dia para amamentar, dentro do horário de trabalho. Os horários são combinados entre você e a empresa.

é o horário que você cumpre no dia. Se a saúde do bebê exigir, a autoridade competente, que é o órgão público responsável, pode estender o prazo dos 6 meses.

Erros comuns da empresa e o que fazer

  • Dispensar a grávida sem justa causa dentro do período de estabilidade.
  • Pagar a licença sem a média das comissões ou dos adicionais que você recebia.
  • Mudar o seu cargo ou baixar o seu salário na volta da licença.
  • Descontar as consultas do pré-natal ou negar as pausas para amamentar.
  • Contar os dias do pai a partir do primeiro dia útil, e não do nascimento.

Avise a empresa por escrito assim que souber da gravidez e guarde uma cópia do exame. Guarde também contracheques, atestados e mensagens.

  1. Cobre a empresa por escrito e guarde a resposta.
  2. Procure o sindicato da sua categoria, que pode intervir junto à empresa.
  3. Denuncie à , o órgão do governo que fiscaliza as empresas.
  4. Entre com uma na Justiça do Trabalho. A gestante dispensada pode pedir a , que é a volta ao emprego.

O prazo para ir à Justiça é de 2 anos depois de sair da empresa, e dá para cobrar o que ficou para trás nos últimos 5 anos. A da sua categoria pode dar mais que a lei, como uma estabilidade mais longa.

O que acontece, passo a passo

  1. Quando a gravidez é confirmada

    Começa a . A empresa não pode dispensá-la sem justa causa, mesmo que não soubesse da gravidez.

    O que fazerAvisar a empresa por escrito e entregar uma cópia do exame.

  2. Até 28 dias antes do parto

    A licença de 120 dias pode começar a partir daqui, com atestado médico que diga a data de início.

    O que fazerCombinar com o médico a melhor data para sair.

  3. No parto

    Se a licença ainda não começou, ela começa no dia do parto. O pai tem 5 dias corridos de folga paga.

    O que fazerNa Empresa Cidadã, pedir os 60 dias a mais até o fim do primeiro mês depois do parto.

  4. Até 6 meses do bebê

    A mãe tem direito a 2 descansos de meia hora por dia, durante o trabalho, para amamentar.

    O que fazerCombinar com a empresa os horários desses descansos.

  5. Até 5 meses depois do parto

    Termina a estabilidade da gestante. A partir daí, a dispensa sem justa causa volta a ser permitida.

    O que fazerGuardar a certidão de nascimento, que prova a data do parto.

A licença-maternidade pode ser maior que 120 dias?

Pode. Com atestado médico, os descansos antes e depois do parto podem crescer 2 semanas cada um.

Na Empresa Cidadã, a licença ganha mais 60 dias, desde que a mãe peça até o fim do primeiro mês depois do parto. Nesse tempo ela não pode ter outro trabalho pago.

Quantos dias de licença-paternidade o pai tem?

Em 2026, são 5 dias corridos, contados do nascimento. Na Empresa Cidadã, o pai pode ter mais 15 dias, se pedir em até 2 dias úteis depois do parto e fizer um curso de paternidade responsável.

A Lei 15.371 de 2026 amplia a licença para 10 dias em 2027 e 15 dias em 2028. Os 20 dias previstos para 2029 dependem de o governo cumprir a meta fiscal.

O pai também tem estabilidade?

A partir de 1º de janeiro de 2027, sim. A Lei 15.371 proíbe a dispensa sem justa causa desde o início da licença-paternidade até 1 mês depois do fim dela.

Além disso, o pai já pode faltar sem desconto para acompanhar a companheira grávida em até 6 consultas ou exames.