Por que parte do aumento some no caminho
Desde janeiro de 2026, quem ganha até R$ 5.000,00 por mês não paga imposto de renda no salário. A lei criou um desconto no imposto, chamado de redução, que zera a conta nessa faixa.
Acima disso, a redução não acaba de uma vez. Ela diminui aos poucos até sumir em R$ 7.350,00, para que ninguém perca dinheiro ao passar um centavo do limite.
O que a lei diz
Art. 3º-A. A partir do mês de janeiro do ano-calendário de 2026, será concedida redução do imposto sobre os rendimentos tributáveis sujeitos à incidência mensal do Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas, de acordo com a seguinte tabela: até R$ 5.000,00, até R$ 312,89 (de modo que o imposto devido seja zero); de R$ 5.000,01 até R$ 7.350,00, R$ 978,62 - (0,133145 x rendimentos tributáveis sujeitos à incidência mensal) (de modo que a redução do imposto seja decrescente linearmente até zerar para rendimentos a partir de R$ 7.350,00).
Em português
Até R$ 5.000,00 por mês, o imposto do salário fica zerado. Acima disso e até R$ 7.350,00, o desconto no imposto encolhe um pouco a cada real a mais, até acabar.
A cada real de aumento nessa faixa, o desconto encolhe 13,31% desse real. Esse pedaço some junto com o imposto normal e com o INSS do aumento.
No seu caso, a redução do imposto era de R$ 312,89 e passa a R$ 179,75 com o salário novo. São R$ 133,14 de desconto que você deixa de ter.
O aumento passo a passo
Veja como a conta anda, do aumento que a empresa paga até o dinheiro que entra na sua conta.
Aumento de R$ 1.000,00 num salário de R$ 5.000,00
- Salário líquido de hoje
- R$ 4.498,49
- Salário novo, antes dos descontos
- R$ 6.000,00
- INSS a mais
- R$ 140,00
- Imposto de renda a mais
- R$ 385,10
- Salário líquido novo
- R$ 4.973,39
- A mais na conta, por mês
- R$ 474,90
Do aumento, ficam com você 47,5%. O resto vai para o INSS e para o imposto de renda.
O INSS sobe pouco, porque ele tem faixas e um teto. Quem já passa do teto não paga nada a mais de INSS no aumento.
O imposto é o que mais pesa na faixa de transição. Ali ele cobra a alíquota normal do imposto e ainda tira a parte da redução.
A faixa em que o aumento encolhe
Quem ganha R$ 3.000,00 e recebe um aumento de R$ 1.000,00 fica com 88% do aumento. Até R$ 5.000,00, só o INSS mexe na conta.
Quem ganha R$ 5.000,00 e recebe o mesmo aumento fica com só 47,5%. É o começo da faixa de transição, e a perda é a maior de todas.
Quem ganha R$ 9.000,00 e recebe o mesmo aumento fica com 72,5%. Ali a redução já acabou, e o imposto volta a cobrar só a alíquota normal.
Por isso o aumento entre R$ 5.000,00 e R$ 7.350,00 rende menos que o mesmo aumento um pouco acima. Não é erro do contracheque, é a conta da lei.
Mesmo assim, o aumento sempre vale a pena. Nenhum salário maior deixa menos dinheiro na conta do que um salário menor.
E a hora extra, vale a pena nessa faixa?
A hora extra entra no salário do mês e paga INSS e imposto do mesmo jeito que o aumento. Na faixa de transição, ela também rende menos.
O que a lei diz
§ 1º A remuneração da hora extra será, pelo menos, 50% (cinquenta por cento) superior à da hora normal.
Em português
Cada hora extra vale pelo menos 50% a mais que a hora normal. A convenção coletiva pode dar mais.
Com salário de R$ 5.000,00, 10 horas extras com o descanso semanal somam R$ 409,09 no bruto. Na conta, chegam R$ 198,45 a mais, ou 48,5% do que a empresa pagou.
A conta da hora extra usa a mesma regra do aumento. O que muda é que a hora extra não é fixa, e num mês sem ela o salário volta ao normal.
A empresa deposita o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) sobre toda hora extra, mesmo a rara. Se ela vem todo mês, a média entra também no 13º e nas férias, como num aumento.
O que o aumento muda no ano inteiro
O aumento não aparece só no salário do mês. Ele entra também no 13º, nas férias com o 1/3 e no FGTS.
No ano, um aumento de R$ 1.000,00 por mês soma R$ 13.333,33 no bruto, com 12 salários, o 13º e o 1/3 das férias. Depois dos descontos, chegam R$ 6.439,15 na sua conta.
O 13º paga imposto separado do salário, mas com a mesma redução de 2026. Por isso a faixa em que o aumento encolhe vale para ele também.
O FGTS do aumento não tem desconto. A empresa deposita 8% de tudo, e esse dinheiro rende na conta do fundo.
Como pedir o aumento com o número certo
Quando você negocia um aumento, a empresa fala sempre no salário bruto. É o número que vai na carteira e no contracheque.
Se você tem um valor líquido em mente, faça a conta ao contrário. A calculadora de bruto para receber um líquido mostra o salário bruto que deixa o valor que você quer na conta.
Se o aumento vem da data-base, o reajuste anual da categoria, ele sai da convenção coletiva. Na calculadora de reajuste pela inflação, você vê se ele cobriu a alta dos preços.
O aumento pode me fazer receber menos no fim do mês?
Não. O salário líquido sempre sobe quando o salário bruto sobe. O que muda é o tamanho da diferença.
No pior ponto, o INSS e o imposto juntos levam pouco mais da metade de cada real a mais. A outra metade sempre chega na sua conta.
Quanto do aumento chega para quem tem um dependente?
Com um dependente no imposto de renda, o salário de R$ 5.000,00 e o aumento de R$ 1.000,00, chegam na conta R$ 527,03 a mais por mês.
O dependente baixa o imposto de quem já paga. Mas a redução de 2026 olha o salário bruto, e ele não muda a faixa em que o aumento encolhe.
Quanto do aumento vai para o FGTS?
A empresa deposita 8% do aumento no seu FGTS, sem desconto nenhum. Num aumento de R$ 1.000,00, são R$ 80,00 a mais por mês na conta do fundo.
Esse dinheiro não aparece no contracheque, mas é seu. Você pode sacar na demissão sem justa causa e em outros casos que a lei lista.
Quanto chega de cada aumento, faixa por faixa
| Salário de hoje | Salário novo | A mais na conta | Parte que fica com você |
|---|---|---|---|
| R$ 1.621,00 | R$ 2.621,00 | R$ 910,00 | 91% |
| R$ 2.500,00 | R$ 3.500,00 | R$ 892,09 | 89,2% |
| R$ 3.500,00 | R$ 4.500,00 | R$ 877,09 | 87,7% |
| R$ 4.500,00 | R$ 5.500,00 | R$ 669,53 | 67% |
| R$ 5.000,00 | R$ 6.000,00 | R$ 474,90 | 47,5% |
| R$ 6.000,00 | R$ 7.000,00 | R$ 490,36 | 49% |
| R$ 7.000,00 | R$ 8.000,00 | R$ 576,89 | 57,7% |
| R$ 8.000,00 | R$ 9.000,00 | R$ 676,72 | 67,7% |
| R$ 10.000,00 | R$ 11.000,00 | R$ 725,00 | 72,5% |
| R$ 30.000,00 | R$ 31.000,00 | R$ 725,00 | 72,5% |
Como esta conta é feita
A conta faz o contracheque de hoje e o do salário novo, com o INSS e o imposto de renda de 2026.
O que chega a mais é a diferença entre os dois salários líquidos.
O imposto já usa a redução da Lei 15.270, de 2025, que zera o imposto até R$ 5.000,00 e some aos poucos até R$ 7.350,00.
A conta não inclui vale-transporte, plano de saúde nem pensão alimentícia, que dependem de cada contrato.
